não é de mim, assim diretamente. é de uma página de uma história em quadrinhos. eu escrevi, eu desenhei, eu colori, eu letrerei. tem um bocado de mim na hq, mas não sou eu. ou serei?
sei lá. mil coisas. há muito que férias não significam estar de bobeira, pra mim. há sempre algo a fazer. acho que o ócio provoca culpa, talvez… hehe…
resolvi arrolar o que ando fazendo agora; me deparei com as aulas do curso de perspectiva, os textos da pesquisa pro projeto da tríade, as alterações no texto que estava “finalizado” do tueris, as anotações de mais dois romances em estágio embrionário, algumas dezenas de livros se acumulando na lista de não-lidos e uns tantos na pilha dos sendo lidos (vez em quando elejo um e vou até o fim - recentemente foi o “rama ii” do clarke e do lee - divertidíssimo), a versão pra inglês de um romance especial pra mim… ufa. melhor parar por aqui. e eu estou em férias?
na minha terra natal uns chamariam isso de cotoco, outros de hiperatividade, mais uns de busca do tempo perdido. tem gente que deve achar que eu sou doido, mesmo. talvez me sinta culpado em não fazer nada. e olha que eu adoro dormir!
eu acho que eu queria estar em férias pra sempre! hehe…
mas aí vai: não um pedaço de mim, mas de uma hq, eon, que eu não tenho a minima idéia de quando sai, mas que é muito divertida de fazer, assim, bienalmente…
ando meio ausente; quaisquer reclamações deverão ser encaminhadas ao departamento do tempo (a/c do senhor cronos), por favor.
ah! eis as férias chegando, mais uma vez; enquanto a maioria dos estudantes tradicionais vai fazer algo novo ou inusitado, ou mesmo repetir experiências gratificantes, eu vou manter basicamente o mesmo cronograma subtraído das aulas da usp.
já que fazia tempo que não postava nenhuma imagem, aí vai um recorte de um trabalho desenvolvido em sala de aula de pintura e ilustração. usei pastel seco sobre papel craft (valeu, ísis!).
enquanto as férias não se instalam oficialmente, termino uns trabalhinhos aqui e acolá. o tempo? está frio.
é espantosa a fragilidade da matéria que compõe a concórdia entre as gentes; se ameaçados por entreveros antecedentes, amores e amizades esfarinham-se por qualquer falta de cuidado, um olhar torto, uma palavra enviesada.
não há comemorações a fazer quando a morte chega; todos sabem o quanto dói o falecimento de um ente querido. o sepultamento de um amor ou de uma amizade não é menos doloroso, mesmo quando em declínio, definhando sob a sombra inclemente do desrespeito mútuo.
e nada acontece da noite para o dia: a discórdia se constrói como a concórdia, pouco a pouco, as marcas da passagem do tempo a servir de contrapeso de um lado a outro, como o balanço do equilibrista que se desloca a um destino incerto.
ter amores e amizades é estar eternamente sobre a corda bamba. ter amores e amizades é não contar com rede de proteção entre a corda e o chão duro da realidade.
deposito uma pedra sobre o cadáver de uma amizade longeva. é provável que, talvez inutilmente, gaste um bom tempo na tentativa de entender a éris que causou sua morte. sempre lamentarei a fragilidade da matéria que compõe a concórdia entre as gentes.
tekkon kinkuriito é um abuso de bom! homem de ferro é muito divertido. macunaíma tinha que ser lido por todo brasileiro. o melhor bolo de chocolate é realmente bom pra caralho! tá fazendo frio.
My aching feet (Dreams broken)
Damned and perfect memories of being cast away
Looking back to sidewalks and painted corner walls, asleep, asleep, asleep
Empty dirty tables: a bar in an empty dirty street
In the present half, half in the past
How long might eternity last?
My tired feet (Dreams lost)
A poet without poems and perfect poetry sculpted in clay
Long gone sighs and screams like bronze knife stabs cut deep, fast asleep
Untidy third class hotel rooms and dirty girls to meet
How long will I remember all that filthy stuff in vain?
How many potions have I drunk to stop this dreary thirst?
How many bodies borrowed to restrain the burning pain?
Might I ever turn from lousy last to glorious first?
My wounded feet (Dreams unfolded)
Desires of fire on ragged dolls seems like the price to pay
An oracle retells details of well-known tales while I am asleep
The days to come must fit to noisy silence, cries discreet
Truth is too slow – lies are too fast
How long might eternity last?
Essa palavra afogada, esse desejo contido.
A mão estendida num gesto silenciado.
Nos olhos, o brilho, queimando - sempre os olhos.
A garganta e a boca secas.
Os pés formigando. O estômago revoltado.
O coração apertado e os olhos queimando.
A respiração profunda, Um bafo quente, a saliva grossa.
A língua deslizando pelos dentes, prisioneira.
E os olhos - sempre os olhos - queimando, delatores.
às vezes me sinto como se estivesse numa viagem pra neviorque: o avião completa cinco horas de trajeto (são nove e meia, no total) e dá uma vontade de pedir pro piloto dar uma paradinha pra esticar as pernas.
hoje tô com uma vontade danada de pedir pro motorista do planeta engatar a primeira, diligentemente fazer a baliza pra estacionar a bolota errante, me esquecer por umas horas e depois passar pra me pegar de volta.
estou todo entupido / da ponta do pé ao ouvido / todo entupido / todo entupido
não agüento mais tomar comprimido / todo entupido / todo entupido
o dia internacional da mentira, ontem, uma terça, chegou com uma febre animal. no sábado anterior, juntei-me a uns amigos num bar, despreparado para aenfrentar o frio que me castigou por horas. um beijo na boca e a desgraça completou-se: gripe. o domingo transcorreu com a garganta irritada e uma leve dor de cabeça. escrevi um post soturno, preparando o espírito para a semana. a segunda foi quase uma repetição, porém o corpo não resistiu à caminhada pela paulista de volta para casa, depois da aula de roteiro.
a febre me jogou na cama - foi difícil terminar de ler dois livros que já estavam pela metade (não sei se pela febre ou se pela qualidade intrínseca das narrativas, mas bem que poderia ter passado sem eles). a terça foi o dia da coriza. hoje, acordei tarde (mais uma falta na faculdade), com dores por todo o corpo e os pulmões dando sinais de que há algo indevido nos espaços a serem ocupados por ar, uma concorrência covarde e muito incômoda.
Mais uma manta, uma pastilha / Outra sessão de inalação / Um pesadelo, três delírios / Péssima deglutição
O nariz já tá todo ferido / E eu todo entupido / todo entupido
o fim está próximo, assim de viés, preparando as garras pra nos arrebatar de repente, sem aviso.
falta tempo. pra dormir, pra cumprir compromissos assumidos há muito, pra namorar; a vida escorre, feito chuva, entre os dedos, os dias virando noites, noites, madrugadas, madrugadas, dias, um redemoinho apressado que arrasta tudo à aniquilação, o derradeiro destino de tudo.
o turbilhão me pegou em algum ponto ali atrás e tem me levado como um sonâmbulo ignorante da vontade dos pés. há um projeto maior a determinar toda essa loucura, preciso crer; não um futuro funesto predito por um crente apocalíptico locupletado, mas um fim tranqüilizador, um objetivo palpável que iniciará novo começo, uma continuação benfazeja.
entre a eterna falta do vil metal, contas que não param de chegar, aulas com mestres que me contam pouca novidade, turmas com alunos que me ouvem atentos e sedentos de algo inusitado, longos e sonolentos percursos em ônibus lotados, refeições em bandejões que engolem e cospem comensais às centenas, ininterruptamente, papos anódinos e conversas cheias de conotações insinuadas, vou seguindo um plano pré-traçado, me perguntando, sempre… sempre, onde realmente vou chegar.
a cidade faz jus ao epíteto e dá um jeito de precipitar-se diariamente sobre seus habitantes, transformando barrancos, ruas, becos e calçadas em tobogãs. gentes se molham ou se transformam em cogumelos de cabeças negras rebrilhantes. faz frio nesse outono!
a fauna é impressionante: há de quase tudo: tolos, espertos, viperinos, roedores, presas, rapinantes, paquidermes, felinos, tamanduás e caninos. poder-se-ia criar um circo, um zoo ou um balaio de gatos. se fosse crédulo, montaria minha arca à espera do fim do mundo.